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O tríptico é proveniente da capela de Santa Marta do Paço Episcopal de Fontelo, em Viseu. Na pintura são identificáveis os processos pictóricos de Vasco Fernandes: a descentralização dos núcleos formais e a sua ordenação em planos sucessivos unificados pela distribuição da luz; o rigor da expressão volumétrica e da forma; a expressividade dos rostos, o preciosismo dos pormenores. A importância desta obra passa também pela complexidade iconográfica e pela relação entre a narrativa, desenvolvida de modo contínuo, e a forma tripartida. Na tábua central representa-se a Última Ceia: Jesus Cristo, que segura o cálice eucarístico, é ladeado por São Pedro, São João e um outro apóstolo. Na tábua da esquerda, sete apóstolos organizados em redor da mesa, prolongada da tábua central com a forma de L, elevam a hóstia eucarística. Judas, na tábua da direita, com os elementos iconográficos alusivos à traição (o saco de moedas e o traje amarelo), ainda está no grupo. As representações nesta tábua direita, para além de Judas e do cão (símbolo da fidelidade oposta à traição), são invulgares. O episódio do Lava-pés é evocado através da presença de um menino junto da bacia com água em primeiro plano, e as duas figuras femininas que se aproximam de Cristo, uma das quais segura a boceta com perfume, atributo de Maria Madalena, aludindo à dicotomia entre o Amor Profano e o Amor Sagrado. A unidade visual é criada por um muro contínuo que separa os planos. Na tábua central, assomam de um compartimento contíguo algumas personagens, uma das quais transporta para a mesa eucarística o cordeiro, de acordo com a celebração da páscoa judaica. Os elementos dispostos sobre a mesa, as ervas amargas e o pão ázimo, aludem ao tema da Saída do Egipto. Nos dois fundos restantes evocam-se as cenas sequentes da Paixão (autor do texto – Maria João Vilhena).
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